Pular para o conteúdo principal

Rádio Metropolitana


Rotulação da emoção

                                   Edu



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                                ROTULAÇÃO DA EMOÇÃO

Marc Brackett, fazendo uma palestra para empresários em uma vinícola em Napa Valley (EUA), perguntou a eles o que estavam sentindo. A resposta foi bem óbvia, totalmente esperada pelo pesquisador: “curioso”, “intrigado”, “bem”, “bom”, e assim por diante.

É claro que ele tinha uma intenção em sua pergunta e, assim, resolveu mudar a abordagem para dar a eles um ensinamento: “Como vocês descrevem os vinhos tintos que estão representando?” (BRACKETT, 2021, p. 115).

Segundo Brackett, de analfabetos emocionais, eles se tornaram verdadeiros poetas. Parece risível, mas é intrigante. O experimento do doutor Marc mostrou o quanto temos dificuldade em nomear nossas emoções. Talvez porque não mensuramos o valor deste ato em nossa vida.

Nomear uma emoção ajuda a regula-la, ou seja, você consegue ter um pouco mais de controle sobre ela, porque a nomeação nos permite entrar em contato com a emoção, logo somos capazes de domesticá-la, pelo menos minimizar seus efeitos.

E por que temos tanta dificuldade em nomear nossa emoções? Porque nosso vocabulário emocional é como um adolescente, quase mudo, bastante insuficiente. Resposta como bem, bom, triste, não significam que as estamos nomeando e, além disso, pode nos privar de viver uma experiência extremamente saudável e significativa.

Sendo assim, precisamos descrevê-las como quando falamos de uma roupa que gostamos muito.

Na próxima conversa psicanalítica iremos descrever os benefícios de rotular as emoções para termos uma vida melhor.

Que sigamos pensando... 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Carga alostática

                               SA Ú DE TOTAL CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA                                               CARGA ALOSTÁTICA   Bem diferente da homeostase que pode ser definida como certa estabilidade realizada pelo equilíbrio, a carga alostática se refere a um momento estressante que dura mais do que deveria. E percebendo o tempo em que estamos vivendo, recheado de insegurança e falta de controle, sendo assim, extremamente imprevisível; tudo o que pode ser visto como uma ameaça a nossa sobrevivência se torna estressante. E não faltam situações, contextos, para que esta realidade seja sentida por nós. O estresse acelera o envelhecimento e potencializa o aparecimento de outros males (gordura abdominal e diabetes) por causa do cortisol. Mas tudo bem... ...

Senso do eu

                                 SA Ú DE TOTAL CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA                                               SENSO DO EU   Identidade. Uma palavra tão cheia de significado. Um processo que, enquanto humanos, adentramos sem ter um fim. Logo de primeira pensamos que é um trabalho contínuo e individual. Contínuo sim, individual, jamais. Nosso sendo do eu se constrói apenas com a participação de outros em experiências de conexão, em que compartilhamos fluxo de energia e informação, como confirma Daniel Siegel (2021, p. 167) no seguinte excerto: “Quando dizemos que nossas experiências de afeto moldam nosso senso do eu, o correlato neural disso é a maneira como o compartilhamento de nosso fluxo de energia e informação – nossos relacionamentos – estimu...

Distração digital

                                           SA Ú DE TOTAL CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA                                             DISTRAÇÃO DIGITAL Sabe quantas vezes verificamos nosso celular, em média, por dia? 221 vezes. Segundo Hertz (2020), isso soma 3h15min de uso diário médio, quase 1200 horas por ano. Olha que estes dados são de 2020. Certamente os números são bem maiores no momento. A distração digital se tornou tão preocupante que em lugares como Sydney, Tel Aviv e Seul, os urbanistas tomaram a seguinte medida: instalaram luzes de pare/siga nas calçadas para que os pedestres possam perceber e ver se é seguro atravessar a sua sem se desviarem os olhos da tela. Assustador, não é? E quer ver como tal medida deu certo? Na Coreia do ...